Homicídios no Brasil: 77% das vítimas são negras, revela Atlas da Violência
Estudo aponta desigualdade racial alarmante em assassinatos no país

Em resumo
- O que aconteceu
- O Brasil registrou 32.820 homicídios de pessoas negras em 2024, conforme o Atlas da Violência. Isso representa 77% do total de assassinatos, com uma média de um homicídio a cada 16 minutos.
- Onde aconteceu
- O levantamento abrange todo o Brasil, com destaque para as regiões Norte e Nordeste, onde as taxas de homicídio são mais elevadas.
- Quem foi afetado
- As vítimas são predominantemente pessoas negras, com Alagoas apresentando o maior risco de homicídio. A violência também afeta mulheres e idosos negros de forma desproporcional.
- Impactos
- A desigualdade racial nos homicídios gera um ciclo de violência e insegurança, exigindo políticas públicas específicas e eficazes. O estudo aponta a necessidade de um olhar mais atento às diferenças regionais.
- Situação atual
- Apesar da redução geral nos homicídios, a queda foi desigual entre negros e não-negros. A situação demanda ações urgentes para mitigar a violência e proteger as populações mais vulneráveis.
# Homicídios no Brasil: 77% das vítimas são negras, revela Atlas da Violência
O Atlas da Violência 2026, divulgado em 26 de setembro, traz dados alarmantes sobre a violência no Brasil. Em 2024, o país registrou 32.820 homicídios de pessoas negras, o que representa 77% do total de assassinatos. Isso equivale a uma média de 89,9 homicídios por dia, ou um a cada 16 minutos.
Taxa de homicídios entre negros
A pesquisa revela que a taxa de homicídios entre negros é 170,3% superior à de não-negros. As regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de violência. Em Alagoas, por exemplo, a probabilidade de um negro ser assassinado é 23,3 vezes maior do que a de um branco.
Os dados mostram que:
- Amapá: 56,8 homicídios por 100 mil habitantes negros
- Alagoas: 48,9 homicídios por 100 mil habitantes negros
- Pernambuco: 47,6 homicídios por 100 mil habitantes negros
- Bahia: 47,1 homicídios por 100 mil habitantes negros
Desigualdade racial e suas consequências
A desigualdade racial nos homicídios é alarmante. Uma pessoa negra tem 2,7 vezes mais chances de ser assassinada em comparação a uma pessoa branca. Essa realidade se mantém em quase todas as unidades da Federação, exceto em Roraima, onde o risco é de 0,5.
Juliana Brandão, coordenadora temática do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca a importância de uma análise territorial das taxas de homicídio. Segundo ela, isso ajuda a entender as realidades locais e a formular políticas públicas eficazes.
Redução desigual nos homicídios
Embora tenha havido uma redução geral nos homicídios, a queda não foi uniforme. Entre 2014 e 2024, os homicídios de pessoas não negras caíram 38,9%, enquanto entre negros a redução foi de apenas 21,7%. Isso indica que ser negro no Brasil representa um risco maior de morte violenta.
Além disso, a violência letal afeta desproporcionalmente mulheres e idosos negros. A taxa de homicídio entre mulheres negras é 66,7% superior à das mulheres não negras, enquanto entre as mulheres idosas negras, a taxa é 1,3 vez maior.
Crescimento da violência contra a população LGBTI+
O Atlas da Violência 2026 também aborda o aumento das notificações de violência contra a população LGBTI+. Em 2024, houve um crescimento de 5,5% nos registros de violência contra homossexuais e bissexuais, totalizando 10.250 casos. Nos últimos onze anos, esse aumento chega a 212,7%.
As notificações de violência contra pessoas trans e travestis também aumentaram, com 5.575 registros em 2024. Ao longo da última década, foram documentados pelo menos 35.779 casos de violência contra essa população no sistema de saúde.
Conclusão
Os dados do Atlas da Violência revelam um cenário preocupante de desigualdade e violência no Brasil. A necessidade de políticas públicas direcionadas e eficazes é urgente, especialmente para proteger as populações mais vulneráveis. O olhar atento às diferenças regionais é fundamental para enfrentar essa grave questão social que afeta a vida de milhares de brasileiros diariamente. Para entender melhor as políticas públicas em andamento, confira o artigo sobre programas públicos para agricultores familiares e as iniciativas do GDF e União para enfrentar desafios sociais.
Perguntas Frequentes
Qual a porcentagem de vítimas de homicídios no Brasil que são negras?
Em 2024, 77% das vítimas de homicídios no Brasil eram negras, totalizando 32.820 assassinatos. Isso representa uma média alarmante de 89,9 homicídios por dia.
Como a taxa de homicídios entre negros se compara à de não-negros?
A taxa de homicídios entre negros é 170,3% superior à de não-negros. Isso significa que uma pessoa negra tem 2,7 vezes mais chances de ser assassinada em comparação a uma pessoa branca.
Quais regiões do Brasil têm as maiores taxas de homicídios entre negros?
As regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de homicídios entre negros. Alagoas, por exemplo, apresenta uma probabilidade de 23,3 vezes maior de um negro ser assassinado em comparação a um branco.
Houve redução nos homicídios no Brasil nos últimos anos?
Sim, houve uma redução geral nos homicídios, mas a queda não foi uniforme. Entre 2014 e 2024, os homicídios de pessoas não negras caíram 38,9%, enquanto entre negros a redução foi de apenas 21,7%.
Como a violência afeta a população LGBTI+ no Brasil?
O Atlas da Violência 2026 revela um aumento de 5,5% nos registros de violência contra homossexuais e bissexuais em 2024, totalizando 10.250 casos. Nos últimos onze anos, esse aumento chega a 212,7%.


%252Fhttps%253A%252F%252Fi.s3.glbimg.com%252Fv1%252FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%252Finternal_photos%252Fbs%252F2026%252Fh%252F9%252F7I9XNMTnqqQEW4PmE9Lw%252Fpenitenciaria-buriti-lopes.jpeg&w=3840&q=95)