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Empresário é absolvido por morte de trabalhador sem-terra após 28 anos

Decisão do júri em Curitiba gera polêmica e revolta entre familiares e movimentos sociais

G1 — Brasil
📍 Amapá
Empresário é absolvido por morte de trabalhador sem-terra após 28 anos
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Em resumo

O que aconteceu
O empresário Marcos Menezes Prochet foi absolvido pela morte de Sebastião Camargo Filho, ocorrida em 1998. O júri concluiu que Prochet não foi o autor do disparo fatal.
Onde aconteceu
Curitiba, Paraná, Brasil.
Quem foi afetado
Sebastião Camargo Filho, trabalhador sem-terra, foi assassinado durante uma desocupação. Sua família, especialmente seu filho Messias, expressou dor e indignação com a decisão do júri.
Impactos
A absolvição reabre feridas em uma luta histórica por justiça em conflitos agrários. Movimentos sociais, como o MST, criticaram a decisão, que simboliza a dificuldade de responsabilização em casos de violência no campo.
Situação atual
O Ministério Público do Paraná avalia a possibilidade de recorrer da decisão. A organização Terra de Direitos planeja buscar medidas em instâncias internacionais para discutir o caso.

# Empresário é absolvido por morte de trabalhador sem-terra após 28 anos

Na madrugada de sexta-feira (29), o Tribunal do Júri de Curitiba absolveu o empresário rural Marcos Menezes Prochet da acusação de assassinar o trabalhador sem-terra Sebastião Camargo Filho, crime ocorrido em 1998. A decisão gerou revolta entre familiares e movimentos sociais, que veem a absolvição como um reflexo da impunidade em conflitos agrários no Brasil.

O caso e o julgamento

Sebastião Camargo Filho, de 65 anos, foi morto com um tiro na cabeça durante uma desocupação na Fazenda Boa Sorte, localizada em Marilena, no Noroeste do Paraná. O local, considerado improdutivo pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), estava em processo de desapropriação para reforma agrária.

O caso se arrastou por quase três décadas, com Prochet sendo condenado em três julgamentos anteriores, realizados em 2013, 2016 e 2021. Todas as condenações foram anuladas após recursos da defesa. Neste novo julgamento, os jurados decidiram que Prochet não foi o autor do disparo fatal.

Nova testemunha e reações

Durante o julgamento, a defesa apresentou uma nova testemunha, Jair Firmino, conhecido como "Borracha", que assumiu a autoria do crime, alegando que o disparo foi acidental. A mudança de narrativa trouxe à tona novas controvérsias e aumentou a indignação de familiares da vítima.

Messias Camargo, filho de Sebastião, expressou sua dor e indignação com a decisão do júri. Ele afirmou: “Eles falam tanto em família, mas e a minha família? Meu pai foi morto e não pôde ver os filhos crescerem nem conhecer os netos.” Essa declaração evidencia o impacto emocional e a luta por justiça que a família enfrenta há quase 30 anos.

Implicações e próximos passos

A absolvição de Prochet reabre feridas em uma luta histórica por justiça em conflitos agrários no Brasil. Movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), criticaram a decisão, ressaltando a dificuldade de responsabilização em casos de violência no campo.

A organização Terra de Direitos, que atuou como assistente de acusação no processo, planeja buscar medidas em instâncias internacionais para discutir o caso. O Ministério Público do Paraná também está avaliando a possibilidade de recorrer da decisão, que deixou muitos questionando a eficácia da justiça em casos de conflitos agrários.

Situação atual

Apesar da absolvição, a área onde ocorreu o crime foi transformada em assentamentos rurais. Atualmente, os assentamentos Santo Ângelo e Sebastião Camargo abrigam centenas de famílias que produzem alimentos na região. A luta por justiça e a busca por responsabilização permanecem como questões centrais em um contexto de violência no campo, que continua a ser um desafio no Brasil.

A decisão do júri, além de ser um marco na longa batalha judicial, também levanta questões sobre a efetividade das políticas de reforma agrária e a proteção dos direitos dos trabalhadores sem-terra no país. A história de Sebastião Camargo Filho se torna um símbolo da luta por justiça e dignidade no campo brasileiro.

Perguntas Frequentes

Por que o empresário Marcos Menezes Prochet foi absolvido após 28 anos?

Marcos Menezes Prochet foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Curitiba devido à apresentação de uma nova testemunha que assumiu a autoria do disparo fatal, alegando que foi acidental. Essa mudança na narrativa levou os jurados a decidirem que Prochet não foi o autor do crime.

Qual foi a reação da família da vítima após a absolvição?

A família de Sebastião Camargo Filho expressou dor e indignação com a decisão do júri. Messias Camargo, filho da vítima, destacou a perda emocional e a luta por justiça que a família enfrenta há quase 30 anos.

Quais foram as implicações da decisão do júri?

A absolvição de Prochet reabriu feridas em uma luta histórica por justiça em conflitos agrários no Brasil, gerando críticas de movimentos sociais como o MST. A decisão também levantou questões sobre a responsabilização em casos de violência no campo.

O que a organização Terra de Direitos planeja fazer após a absolvição?

A organização Terra de Direitos, que atuou como assistente de acusação, planeja buscar medidas em instâncias internacionais para discutir o caso e a falta de justiça em conflitos agrários.

O Ministério Público do Paraná vai recorrer da decisão?

Sim, o Ministério Público do Paraná está avaliando a possibilidade de recorrer da decisão do júri, que deixou muitos questionando a eficácia da justiça em casos de violência no campo.

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